Política se Ensina na Escola: Educação Cidadã, na Prática.

Autoria: Projeto desenvolvido por Núbia Rodrigues, educadora e idealizadora da proposta. Uma iniciativa de formação cidadã e vivência democrática no CEF 14 de Ceilândia Sul, realizada em 2025.
Direitos autorais: Todos os direitos reservados. Este conteúdo é de autoria de Núbia Rodrigues e sua reprodução, parcial ou integral, requer autorização prévia.

1. Introdução:

O projeto Política se Ensina na Escola é uma iniciativa criada por Núbia Rodrigues, educadora, que realizou no Centro de Ensino Fundamental 14 de Ceilândia Sul, com o objetivo de inserir a educação política como prática pedagógica no cotidiano escolar. Motivada pelo desejo de formar cidadãos críticos e conscientes, a autora confeccionou uma urna inspirada no modelo eletrônico e desenvolveu uma estrutura própria de candidatura estudantil chamada “Dez Atos”, que serviu como ponto de partida para a vivência democrática entre os estudantes.

A proposta teve início em fevereiro de 2025, com a realização de eleições para representantes de turma. A atividade envolveu candidaturas simbólicas, urnas de papelão, cerimônia de posse com faixa e flores, discursos e participação ativa dos alunos. A partir dessa experiência, percebeu-se o potencial da escola como espaço de formação cidadã, onde os estudantes podem compreender, na prática, conceitos como representatividade, debate de ideias, respeito à diversidade e construção coletiva.

Ao descobrir o projeto Eleitor do Futuro, do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE/DF), a autora inscreveu a escola e integrou as ações à proposta já em andamento. O projeto foi então ampliado e também inscrito no programa LED – Luz na Educação, da Rede Globo, fortalecendo sua dimensão institucional e pedagógica.

Durante sua execução, Política se Ensina na Escola promoveu a criação de partidos estudantis com ideologias distintas, produção de materiais informativos, organização de debates públicos e mobilização da comunidade escolar. A iniciativa conecta teoria e prática, promovendo campanhas, simulações eleitorais e protagonismo estudantil. Sua missão é transformar a escola em um espaço de formação democrática, onde a política é vivida com afeto, escuta e participação. A trajetória reflete o compromisso da autora com a educação pública, a cidadania e a valorização dos estudantes como sujeitos políticos.

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2. Justificativa:

A escola, enquanto espaço de formação integral, deveria oferecer aos estudantes noções básicas de direito constitucional, direito administrativo e funcionamento das instituições públicas. No entanto, esses conteúdos ainda não fazem parte do currículo regular, o que contribui para a fragilidade da compreensão política entre os jovens. Essa lacuna se torna ainda mais preocupante diante das mudanças políticas vivenciadas no Brasil desde 2018, marcadas por polarizações, avanços tecnológicos e o crescimento acelerado da desinformação.

Em 2025, os estudantes estão imersos em um ambiente digital onde o acesso à informação é constante, mas nem sempre confiável. Muitos ainda estão em processo de alfabetização digital e não dominam o uso crítico de ferramentas como o Google, o que os torna vulneráveis à manipulação de narrativas políticas e à propagação de notícias falsas. Sem o devido amparo pedagógico, esses jovens são levados a formar opiniões e tomar decisões com base em conteúdos distorcidos, o que impacta diretamente sua visão de mundo e sua atuação como cidadãos.

Diante desse cenário, o projeto Política se Ensina na Escola surge como uma resposta pedagógica à urgência de formar estudantes conscientes, críticos e participativos. Ao promover vivências democráticas, como eleições simbólicas, debates entre partidos estudantis e produção de materiais informativos, a iniciativa busca preencher essa lacuna e transformar a escola em um espaço de escuta, afeto e construção coletiva. A justificativa do projeto está enraizada na convicção de que a educação política não deve ser periférica, mas central na formação de sujeitos capazes de compreender e transformar a realidade em que vivem.

3. Objetivos:

3.1 Objetivo Geral

Promover a educação política como prática pedagógica no ambiente escolar, despertando nos estudantes a consciência de que a política está presente em todos os aspectos da vida cotidiana e que o exercício da cidadania exige participação, escuta e responsabilidade.

3.2 Objetivo Específico

  • Estimular o protagonismo estudantil por meio de vivências democráticas, como eleições simbólicas e debates entre partidos escolares.
  • Desenvolver a percepção crítica dos estudantes sobre o impacto da política em suas rotinas, decisões e direitos.
  • Combater a desinformação e o desinteresse político por meio de atividades que conectem teoria e prática.
  • Integrar o projeto ao programa Eleitor do Futuro, ampliando o alcance das ações e fortalecendo a formação cidadã.
  • Valorizar o espaço escolar como ambiente de escuta, afeto e construção coletiva de ideias.
  • Incentivar o uso consciente da tecnologia como ferramenta de pesquisa, expressão e participação política.

4. Fundamentação Teórica:

A educação política na escola é um instrumento essencial para a formação de cidadãos conscientes, críticos e participativos. Segundo Paulo Freire (1987), “a educação é um ato político”, pois envolve escolhas, valores e relações de poder. Ensinar política, portanto, não é doutrinar, mas possibilitar que os estudantes compreendam os mecanismos que regem a sociedade e desenvolvam autonomia para intervir nela.

O projeto Política se Ensina na Escola parte da concepção de que a escola deve ser um espaço de vivência democrática, onde os estudantes não apenas aprendem sobre política, mas a experimentam em seu cotidiano. A criação de partidos estudantis, os debates públicos e as simulações eleitorais são práticas que aproximam os estudantes da realidade política, permitindo que percebam como ela está presente em decisões que vão desde o cardápio da merenda até a formulação de políticas públicas.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reforça essa perspectiva ao destacar a importância da formação integral e da educação para a cidadania. Ao propor competências como o pensamento crítico, a empatia, a argumentação e a responsabilidade, a BNCC legítima projetos que promovem o protagonismo juvenil e a participação ativa dos estudantes na vida escolar.

Além disso, autores como Norberto Bobbio (2000) e Hannah Arendt (1991) contribuem para a compreensão da política como espaço de pluralidade, diálogo e ação coletiva. Bobbio defende que a democracia se fortalece quando há transparência, participação e respeito às diferenças. Arendt, por sua vez, destaca que a política é o lugar onde os indivíduos se revelam e constroem o mundo em comum.

Diante do avanço da tecnologia e da disseminação de notícias falsas, torna-se urgente que a escola assuma o papel de mediadora entre os estudantes e o universo político. A alfabetização digital, o uso consciente das redes sociais e a análise crítica da informação são competências que precisam ser desenvolvidas desde cedo, para que os jovens não sejam apenas consumidores de conteúdo, mas agentes de transformação.

O projeto, portanto, se fundamenta na pedagogia crítica, na valorização da escuta e na construção coletiva do conhecimento, reconhecendo os estudantes como sujeitos políticos capazes de compreender, questionar e transformar a realidade em que vivem.

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